Poema Parceria de Investimentos — Carta Anual 2025

Caras parceiras e parceiros,

o retorno da nossa parceria em 2025 foi de 54,27%, já descontadas todas as despesas. A cota encerrou o ano a R$2,098022.

Nossa parceria superou o Índice Bovespa em 20,32 pontos percentuais. O Ibovespa rendeu 33,95% no ano.

Do início de 2017 até o fim de 2025, nossa parceria teve retorno de 374,34%, versus 167,55% do Ibovespa.

AnoNossa ParceriaIbovespa
201729,44%26,86%
201811,51%15,03%
201959,25%31,58%
2020–9,23%2,92%
20215,21%–11,92%
20228,95%4,69%
202350,59%22,28%
2024–14,63%–10,36%
202554,27%33,95%
Acumulado374,34%167,55%
Retorno Anualizado18,88%11,56%

Nossa carteira atual:

EmpresaAçãoQuantidade de AçõesCotação atual por açãoValor de mercado
Allied TecnologiaALLD352.600R$8,16R$429.216,00
BradesparBRAP414.000R$19,90R$278.600,00
Companhia Elétrica BrasilienseCEBR32.800R$26,79R$75.012,00
Grupo GrazziotinCGRA36.982R$28,33R$197.800,06
Grupo GrazziotinCGRA44.073R$26,39R$107.486,47
Cogna EducaçãoCOGN372.600R$3,16R$229.416,00
Metalúrgica GerdauGOAU455.331R$9,00R$497.979,00
PetrobrasPETR46.900R$30,82R$212.658,00
ValeVALE33.900R$71,96R$280.644,00
Total 219.186 R$2.308.811,53

Encerramos o ano com R$2.530.645,44 de patrimônio total.

Neste ano de 2025 conseguimos não ter nem mesmo uma ideia nova de investimento. A introdução da Bradespar não representa novidade, porque ela é um veículo de investimento na Vale. E a Petrobras voltou à nossa carteira depois de poucos meses.

Os resultados de muitas empresas receberam um empurrãozinho este final de ano: a partir do ano que vem os dividendos serão tributados em 10% (não havia tributação até 2025), e tributos aos juros sobre capital próprio passarão de 15% para 17,5%. Com isso, várias empresas, nossas inclusive, anteciparam dividendos e bonificações. Um raciocínio simplista levaria a crer que, a partir de agora, as empresas vão dar mais ênfase ao reinvestimento de seus lucros, e menos à distribuição de dividendos. Veremos.

O fato de nossas empresas terem subido significativamente de cotação enquanto distribuíam bons dividendos nos faz olhar para cada uma e pensar se nos tornaríamos sócios delas aos preços atuais. Obviamente a resposta até agora foi “sim”. As empresas que temos ainda custam 3, 4, 5, 7 vezes seus resultados anuais. Elas mantêm um endividamento variando entre o moderado e o nulo. Das empresas que não fazem parte da nossa carteira, vejo também uma meia-dúzia com qualidade e boa relação valor/preço, apenas não o suficiente para diversificar ou substituir — e um ou outro caso em que, creia se puder, elas são pequenas demais para nosso Clube, ao menos em volume de transações na bolsa de valores.

Num ano com resultado acima da média, pode nascer a ilusão de que nossos passos em falso foram poucos. Só que os equívocos podem ser multianuais. Veja, por exemplo uma verdadeira comédia de erros chamada Cogna, protagonizada por mim: entre 2022 e 2024 tivemos uma boa fatia do nosso patrimônio com ela, comprada a mais ou menos R$2 por ação. No finalzinho do ano passado eu joguei a toalha e vendi a maior parte do que tínhamos a R$1 por ação. O que restou eu pretendia vender também. Prontamente ela começou a subir de cotação até mais do que triplicar, inclusive ajudando bastante o nosso resultado. Uma lição é que era possível ter tido mais paciência tanto para comprar quanto para começar a vender.

A total falta de prognósticos oferecidos na carta passada, por superstição e racionalidade, será mantida desta vez. Manterei, é claro, o trabalho de busca por novas ideias de investimento. Mantenho também todas as poupanças da minha família, exceto 3 meses de despesas, investidas na nossa parceria.

Os princípios que seguimos se mantêm: sermos parceiros de poucas e boas empresas, com pouca ou nenhuma dívida e com bons motivos para acreditarmos que continuarão boas daqui a 20 ou 30 anos. Pensar com um horizonte de 10 anos ou mais. Aceitar que nossas cotações variem muito mais do que os índices. Usar largas margens de segurança.

No meu texto-resumo sobre a parceria, menciono o horizonte de 10 anos como sendo uma definição mínima de “longo prazo”. Penso que seja um mínimo também para avaliarmos o desempenho da parceria. Acabamos de completar 9 anos, tendo tido um retorno acumulado equivalente a 2,23 vezes o retorno do Ibovespa no mesmo período. Considero um resultado mais do que satisfatório, ainda mais considerando que sigo mantendo outro emprego e ainda não consigo me dedicar profissionalmente aos investimentos. Mas meu prazo é ainda mais longo: enquanto eu tiver saúde, pretendo continuar investindo. Espero que ainda por algumas décadas.

Gostaria de compartilhar com os novos parceiros e relembrar os mais antigos sobre nosso plano: incrementar o nosso patrimônio, tanto pelos nossos retornos quanto por novos aportes, para nos convertermos em um Fundo de fato. O Fundo tende a proporcionar que eu me profissionalize, podendo dedicar tempo integral à gestão — é de se imaginar que isso trará resultados ainda melhores. Há também outras vantagens, como maior flexibilidade de manter nosso capital fora de ações, ou fora de empresas brasileiras, se o período for de turbulência. Acredito que, quando esse momento chegar, todos ganharemos. Hoje temos R$2,5 milhões. Precisamos de algo a partir de 20 milhões em valores atuais para viabilizar um Fundo. Ficarei muito grato a todas e a todos que participarem disso, e darei o meu melhor para retribuir com bons resultados.

Abaixo adiciono links para relatórios deste ano.

Desejo a você e aos seus um ótimo 2026!

Gustavo Saiani


Relatório de Posição – 31/12/2025

Relatório de Compras, Vendas e Bonificações 2025